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Ter olhos abertos para a singularidade da
vida é algo que mora nas entrelinhas de um
caderno de desenho. E sensibilidade se exer-
cita até sem ver as cores-como Gabriel Me-
deiros faz desde pequeno.
Descobriu o daltonismo pequeno, mas
sempre pediu lápis de cor de presente.”Nun-
ca tive carrinho, quando era criança. Gostava
de desenhar, mesmo, e ganhava lápis e cader-
nos até no Natal”,ri.
Das cores da caixinha, amarelo é sua pre-
ferida, já que é a única que distingue bem. Mas
em preto e branco, ou com tons psicodélicos,
ele leva seu caderno para todos os momentos.
Já desenhou no carro, na feira, na fila do banco
e na inspiradora Pedra da Cebola. Uma vez,
passou um dia inteiro desbruçado no papel.
E como todo estudante que gosta de desenhar,
já teve cadernos apreendidos em diversas aulas.
Aprendeu, é claro, a lição. “desenho só nos inter-
valos das aulas”, diz ele, com um sorriso de apai-
xonado por lápis e papel.
Entrou para a faculdade de moda por gostar de
desenhar estampas, mas quando se viu pressionado
por criações que saissem do papel, travou. E resol-
veu mudar de curso, três meses depois: preferiu
ser fotógrafo.
Hoje, ele desenha sobre as fotos que faz, e
com isso, o hobby rendeu grana extra. Já fez
folder, agenda e capa de jornal institucional.
“Comecei estilizar meu traço quando mudei de
curso, e ai encontrei meu trabalho como queria”,
comenta.
E como nutrir a inspiração para dar quimi-
ca ao lápis e papel? Para Gabriel, como o moço
atende mais bem-humorado, a inspiração vem dos
toy arts, da música instrumental, do stop motion e
do adorado Tim Burton (o diretor dos fantasmagóricos
“Edward Mãos de tesoura” e “Noiva Cadáver”).
O resultado são os traços únicos e poéticos de
um estudante de 23 anos, que já ganharam quase
4 mil visualizações no youtube. Quer uma pontinha?
Acesse ai:
fonte: A GAZETA | revista.AG | Vitória, 24 de maio de 2009 | 17

